Fernando Mazanga fala de guerra para impedir eleições autárquicas
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- Published on Wednesday, 03 April 2013 00:00
A Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, assumiu ontem estar “preparada para a guerra” contra a alegada “arrogância” do Governo de continuar o processo eleitoral contestado pela força de Afonso Dhlakama, mas, citado pela agência Lusa, disse manter “o privilégio do diálogo”.
Em declarações à Lusa em Maputo, o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, corroborou as afirmações do secretário-geral do partido, Manuel Bissopo, no fim de semana, de que o partido está “preparado para a guerra”.
“Falou a voz da autoridade (do secretário-geral). Na verdade, mantemos o privilégio do diálogo, mas essa postura não pode ser entendida como medo da guerra. Estamos preparados para a guerra”, enfatizou Fernando Mazanga.
A Renamo, que moveu uma guerrilha de 16 anos contra o Governo até 1992, “está em prontidão combativa à escala nacional” e vai responder com ataques na capital do país, no caso de uma acção militar do exército governamental, afirmou Fernando Mazanga.
“A decisão da bancada (maioritária) da Frelimo de aprovar uma lei eleitoral e uma Comissão Nacional das Eleições (CNE) sem consenso é um convite para a guerra, porque essa decisão é do tempo do monopartidarismo, que nós combatemos com guerra, mas com o foco no diálogo”, declarou o porta-voz da Renamo.
A bancada da Renamo retirou-se da votação da nova lei eleitoral e da escolha do novo elenco da CNE por ter visto rejeitada pela Frelimo a sua exigência de que este órgão deve ser formado com base na paridade entre os partidos com assento parlamentar.
Fernando Mazanga qualificou como “uma falácia” a acusação da Polícia na província de Sofala, de que ex-guerrilheiros da Renamo reagrupados nas antigas bases do movimento estão a “aterrorizar” a população, fazendo revistas a peões e automobilistas.
“É uma falácia que a Renamo esteja a molestar a população, porque a população tem ajudado os antigos guerrilheiros em mantimentos”, enfatizou o porta-voz do principal partido da oposição em Moçambique.
A retórica belicista é uma constante na Renamo e do seu presidente, Afonso Dhlakama, principalmente em anos eleitorais, como forma de conter a Frelimo do alegado recurso à fraude nos escrutínios.
Mas a ameaça de uso da força para impor o boicote das autárquicas deste ano e gerais (presidências e legislativas) do próximo ano está a provocar ansiedade em relação à resposta da Renamo quanto à aparente determinação do Governo de ir avante com o processo eleitoral.
Diversas iniciativas, nomeadamente da embaixada norte-americana, têm sido desenvolvidas junto do partido de Dhlakama, para inverter a posição mas, até agora, sem aparente sucesso.
Um facto é que nos últimos tempos a Renamo tem vindo a perder a popularidade e em províncias onde era mais votada já não consegue manter os assentos, incluindo Sofala. Nesta região não só pode perder terreno para o seu eterno rival, a Frelimo, mas também está sendo ameaçada pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), do seu dissidente Daviz Simango, actual presidente do Conselho Municipal da Beira.
Recentemente um dos responsáveis da Renamo em Sofala também disse que o seu partido ira se socorrer da força para impedir a realização das eleições.