Relatora da ONU apela ao diálogo construtivo
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- Published on Wednesday, 17 April 2013 00:00
A relatora da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos, Magdalena Sepúlveda, apelou ontem ao Governo moçambicano para “tomar todas as medidas possíveis para fornecer espaço para o diálogo aberto e construtivo” com a Renamo.
Falando ontem aos jornalistas, em Maputo, a especialista chilena lembrou que o “enorme progresso que o país tem conseguido até à data tem sido possível porque Moçambique goza de paz e estabilidade”.
“A fim de beneficiar deste novo crescimento, a paz encontrada deve ser mantida. Qualquer retorno a conflitos passados comprometeria os enormes sacrifícios feitos no país para pôr fim à guerra civil devastadora e impediria o país de avançar e desfrutar dos benefícios da prosperidade económica”, afirmou.
No princípio do mês, quatro membros da Força de Intervenção Rápida (FIR) e um comandante da antiga guerrilha da Renamo morreram durante confrontos no posto administrativo de Múxunguè, em Sofala.
Anteriormente, a polícia de Sofala tinha atacado a sede da Renamo em Muxúnguè, no distrito de Chibavava, onde deteve 15 ex-guerrilheiros aí aquartelados há duas semanas, supostamente porque realizavam “manobras militares”.
Posteriormente, o Governo atribuiu aos ex-guerrilheiros da Renamo a autoria de um outro ataque a viaturas na mesma zona, com um saldo de três mortes. Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, disse ter-se tratado de incidentes, contrariando as alegações do seu correligionário, Ossufo Momade, de que os ex-guerrilheiros não atacam civis.
A especialista da ONU sobre pobreza extrema e direitos humanos defendeu que “o Estado (moçambicano) tem de aplicar a mesma vontade política que gerou no passado, activamente, e tomar todas as medidas possíveis para fornecer espaço para o diálogo aberto e construtivo entre as partes com o devido respeito pelo Estado de direito e dos direitos humanos, incluindo os direitos à liberdade de expressão e de associação”.
Na sexta-feira, a Renamo manteve encontros com os ministérios da Defesa e do Interior de Moçambique para discutir o conflito político-militar, um dia depois de se reunir com membros do corpo diplomático de países da União Europeia em Maputo, que consideraram o assunto “sério”.
Falando aos jornalistas, o presidente do conselho jurisdicional, Saimon Macuana, disse que a Renamo entregou um documento ao Ministério da Defesa de Moçambique, cujo conteúdo “tem a ver com a situação política do país, com o recuo do Governo nos compromissos de Roma (Acordo Geral de Paz, de 1992) e também com a legislação eleitoral”.